Nem todo siso precisa ser extraído. A revisão Cochrane de 2020 não encontrou evidência para remover de rotina sisos impactados que não doem nem têm doença associada, e aponta o acompanhamento atento como conduta possível. Por outro lado, até 60% dos sisos inclusos podem desenvolver alguma patologia com o tempo. A pergunta certa não é "quantos anos você tem", é "o seu siso está causando, ou tem risco real de causar, algum problema?".
O que é o siso e por que ele dá problema
O dente do siso é o terceiro molar, o último a nascer. A erupção acontece entre os 17 e os 24 anos. Por chegar por último, ele com frequência não encontra espaço suficiente. O resultado é um dente que falha em irromper ou que nasce só parcialmente, ficando impactado.
Sinais de que o siso precisa sair
Há consenso de que a remoção é apropriada quando o dente já causa sintomas ou está associado a alguma doença:
- Dor persistente na região do siso, sem outra causa identificada.
- Pericoronarite: inflamação que aparece quando o siso rompe a gengiva apenas em parte. Os sinais incluem gengiva inchada, dificuldade para mastigar, febre, dor que irradia para o ouvido ou a cabeça e mau hálito.
- Cárie ou dano ao segundo molar: o siso encostado no dente da frente pode provocar cárie ou dano nas raízes vizinhas.
- Doença óssea ou gengival associada ao terceiro molar.
- Cisto ou tumor em desenvolvimento ao redor do dente.
Se você reconhece um desses sinais, o caminho é uma avaliação com radiografia. Veja como funciona a extração de siso e os critérios de indicação.
O mito do apinhamento: tirar o siso evita dente torto?
Não há evidência de que sim. O único ensaio clínico randomizado incluído na revisão Cochrane não encontrou efeito da extração do siso sobre o apinhamento tardio dos incisivos inferiores ao longo de 5 anos. Usar o medo do dente torto como motivo isolado para extrair não se sustenta na literatura.
Cisto dentígero: por que a radiografia importa mesmo sem dor
O cisto dentígero é o tipo mais comum de cisto de desenvolvimento dos maxilares e a situação mais frequente é a de um siso inferior impactado. A maioria não causa sintomas e é descoberta em uma radiografia de rotina. Em casos avançados, o cisto pode corroer o osso de suporte das raízes e deixar dentes vizinhos soltos. É por isso que a radiografia panorâmica importa mesmo quando nada dói.
Quando dá para acompanhar em vez de extrair
Siso impactado, assintomático e sem doença pode ser monitorado em vez de removido. O acompanhamento é conduta ativa: o profissional solicita radiografia ou tomografia periódica (em geral anual) para verificar a formação de patologias como cistos e reabsorção óssea. A idade pesa na decisão: quanto mais jovem o paciente, mais tranquila tende a ser a cirurgia quando ela se tornar necessária.
Como é o procedimento de extração
A conduta começa pela avaliação clínica com radiografia panorâmica, que mostra a posição da raiz e a relação do siso com estruturas vizinhas. A cirurgia é feita por cirurgião-dentista, em consultório, com anestesia local. Após a anestesia, faz-se uma incisão na gengiva e, ao final, vem a sutura.
É possível remover os quatro sisos de uma vez, mas costuma ser mais confortável extrair os dois do mesmo lado por vez, mantendo um lado livre para mastigar durante a recuperação.
Recuperação dia a dia: o que esperar
| Momento | O que acontece |
|---|---|
| Primeiras 24h | Formação do coágulo sanguíneo no alvéolo |
| 2 a 3 dias | O inchaço da boca e das bochechas começa a diminuir |
| Cerca de 7 dias | O dentista remove os pontos |
| 7 a 10 dias | A rigidez e a dor na mandíbula tendem a passar |
| Cerca de 2 semanas | Cicatrização completa |
Reserve 1 ou 2 dias de folga após a cirurgia. A atividade física intensa costuma ser liberada por volta de uma semana depois.
Cuidados nas primeiras horas e dias
- Morda uma gaze dobrada no local logo após o procedimento para controlar o sangramento.
- Aplique compressa fria na parte externa do rosto por 15 minutos nas primeiras horas.
- Não desaloje o coágulo nas primeiras 24 horas, pois ele é a base da cicatrização.
- Evite cuspir nas primeiras 12 horas e evite conversar por pelo menos 3 a 4 horas.
- Não fume nem beba álcool por pelo menos as primeiras 24 horas.
- Evite esforço físico nas primeiras 24 horas para não aumentar a circulação e o sangramento.
O que comer (e o que evitar)
Prefira alimentos macios e frios: sorvete, açaí, vitaminas, caldos e sopas em temperatura ambiente, nunca quentes. Evite comidas quentes nas primeiras 12 horas, alimentos duros e canudo, pois a sucção pode deslocar o coágulo.
Higiene e medicação
Depois de 24 horas, enxágue com delicadeza usando água morna com sal ou enxaguante antisséptico. A clorexidina 0,12% costuma ser indicada por uma semana, sem fazer bochechos. Escove os dentes com escova extramacia e movimentos delicados. O dentista prescreverá analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos conforme o seu caso.
Combine a limpeza dental de rotina depois que a cicatrização estiver completa.
Sinais de alerta: alveolite e infecção
A dor pós-operatória normalmente começa a regredir após 24 a 48 horas. Se a dor já tinha melhorado e volta de repente, sobretudo a partir do quinto dia e acompanhada de mau hálito, isso levanta suspeita de alveolite, quando o coágulo é perdido e o osso fica exposto, causando dor intensa e latejante.
A infecção tem sinais diferentes: dor, inchaço, pus e febre. Diante de dor intensa, muito sangramento, febre, pus ou qualquer sintoma inesperado, procure o dentista o quanto antes.
Está no quinto dia e a dor voltou, ou a região perto do siso inchou? Fale com a Prodentex pelo WhatsApp e descreva o que está sentindo.
Avaliação de siso em Joinville na Prodentex
A Prodentex é uma clínica de odontologia integrada em Joinville, na R. Guanabara 980, bairro Guanabara, com laboratório protético próprio e avaliação feita por cirurgião-dentista. A conduta começa pela radiografia panorâmica, para decidir com base no seu caso se é hora de extrair ou de acompanhar.
Quando o siso já causou perda de um dente vizinho, a clínica também avalia opções de reposição, como o implante dentário.
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Perguntas frequentes
Preciso tirar o siso mesmo se ele não dói?
Não necessariamente. A revisão Cochrane de 2020 não encontrou evidência para remover de rotina sisos impactados assintomáticos e sem doença. Nesses casos, o dentista monitora com radiografia periódica para vigiar cistos e reabsorção. A extração é indicada quando há dor, pericoronarite, cárie no dente vizinho, doença óssea ou cisto.
Tirar o siso evita que os dentes fiquem tortos?
Não há evidência de que sim. O único ensaio clínico randomizado incluído na revisão Cochrane não encontrou efeito da extração do siso sobre o apinhamento dos incisivos ao longo de 5 anos.
Quanto tempo dura a recuperação da extração de siso?
Cerca de 2 semanas. Nas primeiras 24 horas forma-se o coágulo; de 2 a 3 dias o inchaço começa a diminuir; por volta de 7 dias o dentista remove os pontos; e em torno de 2 semanas ocorre a cicatrização completa. Reserve 1 ou 2 dias de folga após a cirurgia.
O que posso comer depois de extrair o siso?
Prefira alimentos macios e frios: sorvete, açaí, vitaminas, caldos e sopas em temperatura ambiente. Evite alimentos quentes nas primeiras 12 horas, alimentos duros e o uso de canudo, pois a sucção pode deslocar o coágulo.
Como sei se estou com alveolite?
Se a dor já tinha melhorado e volta de repente, sobretudo a partir do quinto dia e acompanhada de mau hálito, é suspeita de alveolite, quando o coágulo é perdido e o osso fica exposto, causando dor intensa e latejante. Procure o dentista. Se houver pus, inchaço e febre, o quadro pode ser de infecção.
Posso tirar os quatro sisos de uma vez?
É possível, mas costuma ser mais confortável extrair os dois do mesmo lado por vez, mantendo um lado livre para mastigar durante a recuperação.
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